Entre Conexões e Princípios
Há encontros que despertam, encantam, provocam. Há presenças
que nos atravessam como vento quente, intensas, vivas, quase irresistíveis.
Contudo, nem toda intensidade é direção.
Vivemos tempos em que erroneamente a permissividade se
disfarça de liberdade e a ausência de limites é celebrada como autenticidade. Mas
a liberdade verdadeira não é a capacidade de aceitar tudo, e sim, é a lucidez de
escolher aquilo que preserva quem somos.
Toda conexão traz consigo um espelho. Algumas refletem desejo,
outras carência, poucas refletem valores. E é diante desse reflexo que somos
convidados ao exercício mais silencioso e mais nobre: escolher.
E escolher é muitas vezes, renunciar.
Quando temos firme nossos propósitos, nossas ideias e ideais,
o ato de renunciar não se apropria de sentimento, mas ao desalinhamento.
Renunciar não ao encanto, mas ao que compromete a integridade. Seguramente,
quando ignoramos nossos princípios para sustentar uma possibilidade, abrimos
dentro de nós uma fissura, profunda o suficiente para ecoar por anos, podendo
nos acompanhar em nossas noites mais introspectivas.
Mas existe também, em contrapartida, uma calma que apenas a
coerência oferece: a de ter consciência de que não nos traímos.
O caráter não é moldado em momentos fáceis. Existe uma
frase, de um ditado popular que gosto muito: "Mar calmo nunca fez bom
marinheiro", uma metáfora poderosa que significa que as dificuldades,
desafios e adversidades são essenciais para o crescimento pessoal. Ou seja, nosso potencial máximo é atingido quando
enfrentamos e superamos ao nosso máximo a superação de obstáculos, em vez de
vivermos apenas em um ambiente confortável e seguro.
Nosso caráter não se constrói nos momentos fáceis. Ele se
consolida quando o desejo encontra um limite interno, e o respeita. Dignidade
não é rigidez, é consciência. É compreender que nem tudo que passa em nosso
caminho merece permanência.
Mas é preciso se atentar ao fato de que as experiências que
não prosperam não são desperdício São seleção. Elas revelam onde fomos
flexíveis demais, onde amadurecemos, onde finalmente entendemos que amor sem
alinhamento é apenas entusiasmo passageiro.
No fim, o que sustenta relações duradouras não é a
intensidade do início, mas a solidez dos princípios compartilhados. Escolher
por si pode doer no momento, mas fortalece com o tempo. E no tempo, só
permanece o que foi construído na verdade. Nossos valores são inegociáveis, e
estar ciente desses valores, é o que nos leva adiante.
Entre sentir e ser, escolhe-se ser.
<3

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