segunda-feira, 13 de julho de 2026



Há encontros que iluminam um instante. Outros iluminam uma parte de nós que pensávamos ter aprendido a viver no escuro. E outros, permanecem...


O que permanece depois do encanto


Os encontros da vida sempre me encantaram.

Alguns duram uma conversa. Outros permanecem por anos. Há aqueles que deixam marcas profundas e também os que apenas atravessam o nosso caminho para nos lembrar que ainda somos capazes de sentir.

Mas sentir nunca foi o mesmo que se entregar.

Aprendi, com o tempo, que gratidão pela vida e desejo de construir uma história ao lado de alguém são coisas completamente diferentes. A primeira nasce de um instante. A segunda exige tempo, constância, verdade e escolhas repetidas todos os dias.

Não acredito em amores construídos pela pressa. Também não acredito que alguém possa conhecer o caráter de outra pessoa apenas pela intensidade de um encontro.

A vida já me ensinou que é possível conhecer alguém por décadas e, ainda assim, descobrir lados que nunca haviam sido revelados. O tempo de convivência nem sempre é o tempo do conhecimento.

Por isso, hoje observo.

Escuto mais do que falo. Reparo nas pequenas atitudes. Na coerência entre as palavras e os gestos. Na forma como alguém trata quem não pode lhe oferecer nada em troca. É ali que o caráter costuma aparecer.

Continuo acreditando na magia dos encontros. Espero nunca perder essa capacidade.

Mas aprendi que encanto não substitui discernimento.

Posso me emocionar com um sorriso, admirar uma conversa ou agradecer à vida por colocar pessoas interessantes no meu caminho sem que isso signifique abrir mão da minha prudência.

Os pés continuam no chão.

Porque o coração pode se emocionar com um instante, mas a confiança não nasce do encanto. Ela se constrói devagar, na coerência dos gestos, na constância da presença e na verdade que resiste ao tempo.

Se um encontro for apenas um encontro, que permaneça como uma lembrança bonita, daquelas que iluminam um dia e seguem o seu caminho sem precisar de explicações. Mas, se houver algo maior escondido naquele instante, não será a pressa nem a imaginação que irão revelar, será o tempo.

Até lá, sigo exatamente como escolhi ser: aberta às surpresas que a vida oferece, capaz de reconhecer a beleza dos encontros, mas consciente de que discernimento também é uma forma de carinho comigo mesma. Algumas histórias começam com um sorriso; as verdadeiras se confirmam naquilo que permanece depois que o brilho do primeiro instante passa.



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